Autores de Pensamento: Vagas Abertas!

Atualizado: Mai 13

Embora os avanços tecnológicos a cada dia, venha disponibilizando mais e mais vetores, com a proposta de que se conduza ações engajadas no buscar-pensar-criar; somos ainda ofuscados pelos reflexos da expropriação do saber, que convida à incapacidade da autoria de pensamento.

Rubem Alves descreveu certa vez, em uma de suas colunas jornalísticas, sobre uma interessante pesquisa efetuada entre o corpo docente e o corpo discente. Nela, professores e alunos, foram convidados a questionarem sobre coisas/fatos que os interessavam, mas que, todavia, não encontravam respostas:

"...uma lista de perguntas que os alunos haviam feito espontaneamente: Por que o mundo gira em torno dele e do Sol? Por que a vida é justa com poucos e tão injusta com muitos? Por que o céu é azul? Quem foi que inventou o português? Como foi que os homens e as mulheres chegaram a descobrir sobre as sílabas? Como a explosão do Big Bang foi originada? Será que existe inferno? Como pode ter alguém que não goste de planta? Um cego sabe o que é uma cor? Por que a chuva cai em gotas e não tudo de uma vez? [...] uma lista de perguntas que os professores haviam feito espontaneamente: Os professores só fizeram perguntas relativas aos conteúdos de seus programas. Os professores de geografia fizeram perguntas sobre acidentes geográficos, os professores de português fizeram perguntas sobre gramática, os professores de história fizeram perguntas sobre fatos históricos..."[1]

A pesquisa, segundo Rubem Alves, levou a constatação de que os alunos revelam uma sede imensa de conhecimento, enquanto que os professores, mostravam desinteresse e/ou falta de curiosidade. Assim, o autor na mesma matéria, faz uma analogia:

"Há muita sabedoria pedagógica nos ditos populares. Como naquele que diz ser fácil levar a égua até o meio do ribeirão, o difícil é convencê-la a beber a água[...]. As perguntas que fazemos revelam o ribeirão onde queremos ir beber [...]. Os mundos das crianças são imensos! Sua sede não termina, bebendo a água do ribeirão. Querem águas de rios, de lagos, de lagoas, de fontes, de minas [...]. Já, as perguntas dos professores revelam águas que perdem a curiosidade, felizes com as águas do ribeirão conhecido."[2]

Os educadores aos quais Rubens Alves se referia, não tinham autonomia de pensamento. O motivo? Interesse em permanecer em suas zonas de conforto e, portanto, contribuindo para a formação de pessoas que, como ainda se vê, contribuem na manutenção de ideias muitas vezes ultrapassadas.


Embora os avanços tecnológicos a cada dia, venha disponibilizando mais e mais vetores, com a proposta de que se conduza ações engajadas no buscar-pensar-criar; somos ainda ofuscados pelos reflexos da expropriação do saber, que convida à incapacidade da autoria de pensamento.


No mercado atual, não há mais vagas para colaboradores que não se interessem por visões no macro, muito embora ainda se perceba o grande número de pessoas assim, que continuam ocupando altos cargos executivos nas organizações. Penso no que tal fato possa representar em curto, médio e longo prazo para as empresas.


Considero então, ser importante que os Recursos Humanos invista cada vez mais em esforços que contribuam para formação de novos autores de pensamento, "[...] ante essa realidade (fazer criativo monopolizado pelos donos das técnicas, predomínio da fragmentação subjetiva, da superficialidade, do vazio, da indiferença, cotidianidade ritualizada -sem reflexão e sem críticas – [...]”[3]


Mas, e quanto a você; o que pensa a respeito?



[1] Caderno Sinapse do jornal "A Folha de São Paulo" – terça-feira, 24 de setembro de 2002. p.29.

[2] Idem.

[3] Alicia Fernandez: O Saber em Jogo: Porto Alegre: Artmed,2001. p.105.


De: São Paulo - SP / Brasil

Para: encontros virtuais

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